O Brasil desperdiça quase 40% da água potável nos sistemas de distribuição, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A perda é causada por vazamentos nas tubulações, erros de leitura de hidrômetros, roubos e fraudes. Em Camboriú, devido a um trabalho de Gestão e Controle de Perdas (GCP) realizado pela concessionária Águas de Camboriú, o índice de desperdício reduziu de 48% registrado no ano de 2016 para 25% no primeiro semestre de 2018.

A forte presença de fraudes é um dos fatores que diferenciam o Brasil de países com baixos índices de perda de água e de faturamento. A média das perdas de faturamento no Brasil em 2016 foi de 38,5%, ou seja, 23 pontos percentuais acima da média de países desenvolvidos, que é de 15%. As perdas trazem consequências tanto para o próprio sistema de produção, quanto para o meio ambiente, já que um elevado nível de desperdício equivale a uma necessidade de produção superiores ao volume efetivamente demandado.

No município, segundo o gestor de operações da Águas de Camboriú, Gabriel Balparda Fasola, a ativação do GCP está baseada em seis pontos específicos: gestão de pressão, gestão de micromedição, detecção de fraudes, controle de vazamentos, velocidade nos reparos e gestão da infraestrutura. Desde 2016, ações como a gestão da pressão em diferentes pontos do sistema, a renovação do parque de hidrômetros, o controle de vazamentos e um forte trabalho de identificação de ligações clandestinas contribuíram para esta queda no percentual de perdas.

De janeiro de 2017 – quando o índice de perdas em Camboriú já tinha reduzido para 36% – até abril deste ano, quando a concessionária registrou índice de 21%, foram deixados de desperdiçar um total de 1.461.280 m3 de água, volume necessário para abastecer a cidade de Camboriú por dois meses e meio. “Diante dos números nacionais, este é um grande avanço para o sistema de abastecimento de Camboriú”, observa Gabriel.